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segunda-feira, 7 de julho de 2014

As viagens que nos acontecem por dentro (as verdadeiras)

Hoje, acordei entre viagens. De repente, tive consciência de mim diante do espelho. Acordei com o cabelo levantado como quando se faz uma viagem de moto sem capacete, com o vento a bater e a indicar-nos o caminho. Não sei por onde terei estado durante a noite e que caminhos terei percorrido. Alguns caminhos são imperscrutáveis, de qualquer das maneiras.
Ainda não tirei o lastro do fundo das malas e já começo a preparar a próxima viagem. “The rolling stone gathers no moss” (i.e. pedra que rola não cria limo), ensinou-me há muito tempo o meu professor de estórias.

Ao lado da cama, esperando por mim, estava um artigo do “Le Monde” sobre os deslocados internos do leste da Ucrânia; vinham do leste, donde nasce – “orior”- o sol. Na foto que acompanha o artigo viam-se mulheres, bebés e crianças. Por onde e como estariam os homens? Muita sorte para todos e para a paz!

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Pão frio e Mundo quente


Hoje, de manhã, como em muitas outras manhãs, fui comprar o pão e “Le Monde” (jornal francês intitulado “O Mundo”). Hoje, dia de greves (quase) gerais, em que nem [se] (h)ouve sinais de Fernando Alves, o pão vinha frio e o mundo vinha quente. Sinais dos tempos?

 

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Onde está o escarlate-presente? Ouvimo-lo?


Eu comprava o mundo (“Le monde”) e ela agarrava-me na nota que o pagava e dava-me o troco como quem joga berlindes, numa velocidade infernal. À saída, uma senhora de cabelos brancos, que lhe vão bem com o casaco de Inverno escarlate, estaciona o carro alemão com uma rapidez que penso ir acabar o mundo. O mundo não acaba, pelo menos, hoje, penso eu, talvez equivocado.

Folheio a revista que veio com o jornal no serão de sexta e encontro o escarlate do casaco da senhora. É uma fotografia de Nobuyoshi Araki e leio o seguinte: “(…)Et toute photo n’est rien d’autre que la répresentation d’un jour unique. Et ce jour unique contient à la fois le passé et la projection de l’avenir”. Lido isto fico a pensar cá para mim se o presente-escarlate que escaparia a esta foto não estaria nos berlindes imaginários da rapariga da tabacaria e no casaco da senhora do carro alemão. Quem sabe?

Tudo isto me parecia, contudo, tão distante do silêncio, que, acoplado a uma folha em branco e, nos movimentos de uma caneta, nos faria ouvir Deus (ouvir aqui o programa de 8 de Novembro da “Global News” da BBC sobre “joy of silence”) ou, o que talvez seja o mesmo, nós mesmos.